isso é baía formosa

eu depois do velejo

  • "viver a poesia é muito mais necessário e importante do que escrevê-la" murilo mendes

domingo, 18 de maio de 2014

sobre segredos


os segredos voaram                
no dia em que o vento
sorrateiramente 
brigou com as nuvens
as palavras deslizaram
suavemente
para longe umas das outras
e assim, bailaram
por todos os cantos
nuas
cruas
luas
despidas daquilo que

só lhes pertenciam.

sábado, 3 de dezembro de 2011

flexa desvairada

vultosa viagem.
interior, exterior,
o privado, o permitido,
o sentido, o vivido,
o pensado, o feito,
o desfeito, a viragem,
o refeito.
límpida imagem.
é mais fácil
quando os silêncios
se tornam palavras,
mesmo que estas
ecoem
apenas nos nossos próprios
silêncios.



escutando a amy cantando "girl from ipanema" no volume muito alto

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

a pele

você poderia ser puta, eu te amaria do mesmo jeito.
poderia ser presidiária, viciada, fracassada.
era só continuar tendo esses peitos.
poderia ser estúpida, travessa, dissimulada.
desde que ainda tivesse essas pernas malditas
oh, pernas benditas as suas!
eu poderia abri-las e fechá-las o tempo todo.
você poderia cometer atrocidades,
desde que continuasse com esse nariz lindo.
oh, eu poderia odiá-la,
não fosse essa dita obsessão,
em amá-la desse jeito.
ah esse jeito...
sim, eu poderia odiá-la,
mas quando vejo suas curvas, quando abro a sua blusa,
todo esse ódio passa,
o resto do mundo perde a graça
e é só você quem continua.


play "crua" (otto)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

fado

eu disse como
seria bem mais razoável.
aceitável.
suportável.
há horas desejaria estar
na quietude em que o sossego
inquieta tanto que se torna algo estranho;
mesmo intolerável de se manter.
as horas prolongam-se quando desinquietas...
continuo a escrever teu nome
sem nome,
como se não fossem efêmeras
letras na areia.
preciso adormecer
“ah esse chet baker que não me deixa dormir”
abraço (a)manhã de alma aberta!



(patti smith cantando baixinho ali na vitrola)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

chega como se entra numa concha
sussurro aroma afeto
afago... música para escutar
a duas.
agora eu era alguém
perto de tudo que lembre
as duas!
ao alcance de um tempo,
não passou
aquele momento, pois.
um? dois.

verborreia com nexo
palavras úteis,
simplesmente são
em vão não.
saem da mente
em sua dimensão
e vão
para o vazio
de um ecrã
cheinho de amanhã.


(escutando romantic music)

sábado, 29 de janeiro de 2011

fôlego

te uso para entender quem eu sou
e sou muito, fora do teu espartilho.
te guardo pra entender o que quero
não quero mais que teus olhos de contas
te olho para descobrir onde estou
não vejo além dos teus cabelos de vidro
te toco pra encontrar o animal em mim
o que de mim foge
eu - a fome, a mordida, lambida,
a vontade de comer.
rememoro a natureza perdida
quando ainda estávamos densas.
inteiras, podíamos respirar
isso não foi ontem, nem amanhã
hoje, quando meu corpo é um bicho
e meu sexo a sorte de um encontro selvagem
aqui, eu imito a vida que não vive
camaleoa, zebra, tigresa, aranha
vem... me arranha...
brilho como um peixe de escamas reluzentes,
lantejoulas baratas,
do fundo do mar eu bordo
a minha presa em suas próprias asas
bordo em minha pele de antílope
pluma de ganso, osso de elefante.
te espero na esquina…
porque me encanta tua boca de cera,
teus peitos de algodão-pólvora
cheiro de pétalas
tua voz emudecida
quanto tempo sem nada a dizer, nada a escutar
só palavras mal/ditas
meu bem, que direi?
meu amor...
tempos de desejo de plástico
é preciso inventar o
silicone-poesia




"for lovers" (the libertines) no ipod

?percebe

ontem
eu nem dormi
buscando entender
o abismo que
existe
entre
o que eu sinto,
o que eu te digo,
o que é feito de nós
e o que vai ser.

question

uma pergunta maltrata tanto assim?
sobreponho ao mundo a linguagem
entre o amor e a loucura está a obsessão.
onde acaba um e começa o outro?
quando o amor nos asfixia
e não nos permite respirar,
quando pensamos cegos,
quando olhamos vidrados,
quando vivemos só lembrando,
quando esquecemos de viver.
quando nos perdemos na caminhada,
quando nada mais importa...
quando só você importa.
eu importo-me.


escutando "smells like teen spirit" nirvana!!

sábado, 18 de dezembro de 2010

verão a chuva

a chuva vem umedecendo a janela há uns dias.
tem aquele silêncio morno que invade o quarto,
tem aquele cobertor com cheiro bom de guardado.
tem o lençol que eu troquei ontem,
aquele outro eu já deixei na lavanderia.
tem um acordar cedo,
levantar preguiçosamente junto com o sol.
ver o mar. o mar. o amar.
tem o cheiro de café com leite,
tem música com gosto de tapioca
e o dia inteiro.
tem um trabalhar que cansa e que é bom.
tem uma rotina, um ser ou não ser que não é de fato.
tem um adormecer tarde,
junto com a lua que varou a noite no azul.
tem você no teu olho e no meu brinco.
tem tudo aqui, amor.
ciclicamente.



"acorda amor" chico buarque no ouvido

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

as quatro estações

ela sabe que quando vem o outono,
cai em folhas.
no inverno, como geada,
ela esfria qualquer lembrança ruim.
congela a saudade e faz nevar no peito de amada
cristais de alguma coisa-que se não é- é muito próximo de amor.
e, com a primavera vem ela e seu perfume, para juntas então, florirmos.
no verão, traz o suor e alguma cerveja, para guardar na geladeira.
ela é a companhia.
de resto, não se sabe nada.



escutando antonio lucio vivaldi

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

alegria da alegoria

estamos presos na caverna de nós,
fazemos altares e somos pagãos.
nos transvestimos... alegóricos!
múltiplos e ao mesmo tempo multilados.
mutilados! somos livres apenas na ideia.
e, no momento em que conto a ideia que tive, me prendo.
correntes, sombras e luz. luz!
quando pulsamos, somos.
o mel.



amy w. "back to black" no volume máximo hoje

domingo, 5 de setembro de 2010

flor de primavera

a primavera me deixa feliz e aventurada.
desocupada. ociosa. manhosa. ousada.
a fazer o som dos sonhos.
sensual por baixo dos teus lábios meus.

domingo, 29 de agosto de 2010

assim falou o silêncio


a casa acordou suavemente.
sem a música do despertador,
não ouvi vozes nem passos.
espiei o silêncio.
sentei-me calmente na varanda
escutando os passarinhos,
vendo a rapidez dos movimentos dos saguins,
sentindo a brisa do mar e
degustando uns cereais com crocantes de avelã e mel,
percorri as imagens de ontem.
café com leite! senti paz...
levantei-me, olhei o espelho e pensei
"esta sou eu; esta hoje sou mesmo eu"



dusty springfield "the look of love" - play please!




quarta-feira, 11 de agosto de 2010

espelho retrovisor




pelo retrovisor enxerga-se
tudo ao contrário.
letras, lados, lestes...
o relógio pulsa de uma mão pra outra
e tudo muda, o tempo inclusive.
a placa do carro se inverte
quando se ultrapassa.
retrovisor é o que se passa...
é, de vez em quando, ao lado
nunca é na frente. é o que deslocou
e muitas vezes ninguém viu.
retrovisor nos mostra o que ficou,
o que partiu. o que agora
só está no pensamento.
mostra as ruas que se
escolhe, calçadas e avenidas
lembranças bem resolvidas...
retrovisor deixa explícito
que se vai pra frente e se
deixa para trás coisas que
nem se sabe mais.




escutando "meu coração" do arnaldo antunes

segunda-feira, 31 de maio de 2010

passado no passado

parece que está tudo bem.
as fotos mudaram, o status mudou, as mensagens postadas.
se tá bom, então tá bom...
os sonhos voltaram a ocupar os dias
e enquanto isso, parece que está tudo bem.
o sorriso não mudou
nem o número do telefone
só, talvez, a curiosidade de saber
se a vida tem sido justa (?)
se tá bom, então tá bom...
parece que está tudo bem.


franz ferdinand no ipod

quando

quando se sabe ler as entrelinhas,
coisas podem ser evitadas.
protegidas... domadas...
se se sabe ler,
carências não são brotadas.
mas o tempo é quando!


música "acorda amor" chico buarque

sábado, 29 de maio de 2010

aurora

eu acordo assim...
radiante... feliz... amada...
eu acordo assim.
sorridente... sentindo o cheiro teu.
eu acordo assim...
aguardando o novo do hoje.
café com leite... música!
de salivar a boca...
esperança é meu solo em tênis de all star.


escutando franz ferdinand

domingo, 7 de março de 2010

outono

o outono me deixa
mansa como uma folha
à espera de um leve sopro
aguardo lufadas mínimas
que me guiem para nosso lar
em qualquer lugar
longe ou perto
mas sempre onde você
está



música: "when de sun goes down" da cassandra wilson

domingo, 30 de agosto de 2009

brisa


olho pelo mundo,
vejo toda beleza
que se encontra
na natureza.
sopra o vento você em mim
e gela as minhas entranhas.
vai congelando assim...
as minhas façanhas.
quando sinto esse ar,
deixo-me ser parte
da essência que me adentra
e que se expande na arte.



escutando "can't take my eyes off of you" com o muse

domingo, 16 de agosto de 2009

ventos que sopram

tenho escrito sobre as minhas
incertezas e sentimentos que, de
alguma forma, me incomodam.
!nspiração? !ncomodaram?
sei não...
encaro isso com certa naturalidade,
pois aprendi a interpretar
o que sinto. é simples:
consigo fazer bem feito
quando realmente quero!
e não gosto de me sentir presa.



música "vou deitar e rolar" (elis)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

arquétipo


é preciso ser capaz de tomar a difícil decisão de viver sem se deixar absorver por atitudes alheias que ferem. é passado!depois disso, cada novo capítulo que se protagoniza consigo mesmo será deveras interessante.

música "tudo passa" do marcelo camelo

sexta-feira satã

a noite de sexta rompeu da forma menos
suave e lenta que minha emoção poderia
sonhar.
sua voz embalando o que eu não gostaria
de escutar e o seu corpo fazendo-me ver
o que eu já pressentira.
caminhei sem olhar aos lados.
mas não estou só. e essa sensação me deixa
ousada.
acabo de despedir-me de um sonho
e não me restam lágrimas para chorar
a perda.
a dor já não tanto incomoda.
as cicatrizes no peito tornaram-me
insensível.

domingo, 9 de agosto de 2009

desdobravel...mente


pedalei comigo.
faço sempre.
encontrei amigo antigo e pensei
no quanto sou cruel por não
procurar as pessoas que gosto.
pedalamos forte e paramos pela água de côco sagrada.
falamos algumas bobagens sobre nossas vidas e,
subitamente, tive uma vontade visceral de dizer
que estou triste, quero colo e que se dane a
fantasia da mulher fortaleza.
chorei a cântaros. choveu idem.
chorar é um remédio e não apenas um conforto.
gostaria de chorar com os pés descalços e sem
blusa! para respirar melhor...
e que se danem - também - os pudores!!
escutando the ordinary boys "all the sings she said"

domingo, 2 de agosto de 2009

aflição quase


sentada na cadeira onde vi saraband de bergman,
me debruço sobre textos que há muito devo ler.
preciso escrever o que penso deles, mas esses
dias me consomem com ócio e mais uns
dissabores cotidianos que se esgotam quando
eu saio caminhando, pisando os paralelepípedos
dessa baía formosa ao vento.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

90 anos da Escola Bauhaus

"BauBike", a bicicleta de Michael Ubbesen Jakobsen, o designer dinamarquês.

by bike


levantei-me hoje louca de vontade de dar uma pedalada.
eis que vou à janela e... estava chovendo.
pedalar sentindo as gotas batendo no rosto
é uma das melhores coisas do mundo!
de bicicleta percorremos caminhos que num carro jamais se ia,
descobrimos um mundo que nem percebemos no dia a dia.
e essa liberdade não é sonho!
escutando "santa chuva", do marcelo camelo

quarta-feira, 24 de junho de 2009


"Existe alguma coisa que a deixe feliz? Sim: andar de
bicicleta de madrugada depois de fazer amor. Mas tem
de ser aquela bicicleta modelo antigo, o guidão curvo,
uma cestinha pendurada. De saia rodada, o vento desco-
brindo as pernas. Gosto de pedalar em alta velocidade, a
rua quase deserta, sem parar nos sinais vermelhos. Pegar
avenidas largas, depois ruas estreitas, vielas, me perder
por caminhos que não conheço. O sorriso explícito, sem
mistério algum. O corpo ainda quente, a calcinha ainda
úmida, os braços trêmulos, as pernas bambas."
do romance "a chave de casa", de tatiana salem levy (record)
Escutando "California" (The Kooks)

domingo, 26 de abril de 2009

acaso


a boca seca. o corpo dói.
a cabeça gira.
na barriga, náusea!
não consigo pensar.
gostaria até de levantar.
não... não quero levantar!
nem penso em comer.
até respirar está difícil!
sinto calafrios...
a depressão não me pegou,
só estou com um pouco de tédio...
a festa foi muito boa,
mas nunca mais vou beber.

terça-feira, 7 de abril de 2009

mel

passei uns dias escolhendo luz,
decidindo meu riso.
desembaraço meu silêncio
passeando em mim sem saber.
sabendo-me,
ouço enquanto falo.


escutando "elephant gun" do beirut

sexta-feira, 3 de abril de 2009

queria ser astronauta.
queria ter escrito "não apresse o rio, ele corre sozinho".
tenho conversado comigo,
não chego à conclusão alguma.
e não tenho feito poemas.
mas eu já fiz algum dia?
quando eu encontro uma verdade,
as outras são mentiras.
não sou erudita e nem quero ser.
quero ouvir o barulho das ondas e só.


escutando "the nest time around" do little joy

segunda-feira, 30 de março de 2009

o regresso (ou voltando)


a mala está meio cheia.
ou será melhor dizer meio vazia?!
roupas sapatos perfumes cremes mapas livros cds dvds saudades...
como colocar nossa vida toda
num lugar onde só pode caber 20 kg?!

sexta-feira, 27 de março de 2009

contemplação


espero contribuir para a satisfação humana através do meu sorriso ao calçar as legítimas havaianas e sair de casa vestida sem tanto tecido.
nesses dias no rio de janeiro, descobri que ler em voz alta pode fazer bem para a memória.
é, sobretudo, um bom exercício para a voz.
descobri que gritar alguns versos incita o desejo de sair correndo, pela orla ou pelas ruas, cortando os automóveis. imóveis!
descobri que ouvir as vicissitudes da vizinhança carioca às 07:30 é um despertador narrativo que anuncia vida.
descobri que escrever é uma das maiores esquizofrenias. elucidei!

sábado, 14 de março de 2009

supertramp (para tavinho)

vai caminhante...
no chão de areia salgada
desenha os pés descalços
pisa o silêncio vil que faz calar
que ainda faz calor
fúria de ter em suas mãos as de um alguém
a apertar, a beijar
vai caminhante... antes do alvorecer
antes do ocaso... vai
luzes câmera canção
que horas são?
vai encontrar ninguém
sonhando a falar
vai caminhante!
no chão, conchinhas...
pisa o silêncio, caminhante,
foge do amor
sossego marítimo
vai, caminhante!

sexta-feira, 13 de março de 2009

preguiça!

já faz um tempo que não venho por aqui.
não é exatamente a negligência rotineira que acontece com alguns bloggers, mas apenas distração.
fiquei algum tempo pensando sobre a minha vontade de escrever, a minha vontade de ler.
não sei...
fico sem saber como equilibrar o meu surf, o passeio com minhas cachorras na praia, as pedaladas sem rumo ao amanhacer, o desejo, a vontade de dormir.
tudo isso junto em contraposição ao latente pedido cerebral de produzir.
eu realmente queria ser mais organizada, o que não é fácil;
muito menos quando ideias e pensamentos são mais acelerados que os batimentos cardíacos.
sempre tenho delirantes ideias que não saem do delírio porque acabo indo conversar com o travesseiro - até o próximo dia!!