isso é baía formosa

eu depois do velejo

  • "viver a poesia é muito mais necessário e importante do que escrevê-la" murilo mendes

sábado, 3 de dezembro de 2011

flexa desvairada

vultosa viagem.
interior, exterior,
o privado, o permitido,
o sentido, o vivido,
o pensado, o feito,
o desfeito, a viragem,
o refeito.
límpida imagem.
é mais fácil
quando os silêncios
se tornam palavras,
mesmo que estas
ecoem
apenas nos nossos próprios
silêncios.



escutando a amy cantando "girl from ipanema" no volume muito alto

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

a pele

você poderia ser puta, eu te amaria do mesmo jeito.
poderia ser presidiária, viciada, fracassada.
era só continuar tendo esses peitos.
poderia ser estúpida, travessa, dissimulada.
desde que ainda tivesse essas pernas malditas
oh, pernas benditas as suas!
eu poderia abri-las e fechá-las o tempo todo.
você poderia cometer atrocidades,
desde que continuasse com esse nariz lindo.
oh, eu poderia odiá-la,
não fosse essa dita obsessão,
em amá-la desse jeito.
ah esse jeito...
sim, eu poderia odiá-la,
mas quando vejo suas curvas, quando abro a sua blusa,
todo esse ódio passa,
o resto do mundo perde a graça
e é só você quem continua.


play "crua" (otto)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

fado

eu disse como
seria bem mais razoável.
aceitável.
suportável.
há horas desejaria estar
na quietude em que o sossego
inquieta tanto que se torna algo estranho;
mesmo intolerável de se manter.
as horas prolongam-se quando desinquietas...
continuo a escrever teu nome
sem nome,
como se não fossem efêmeras
letras na areia.
preciso adormecer
“ah esse chet baker que não me deixa dormir”
abraço (a)manhã de alma aberta!



(patti smith cantando baixinho ali na vitrola)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

chega como se entra numa concha
sussurro aroma afeto
afago... música para escutar
a duas.
agora eu era alguém
perto de tudo que lembre
as duas!
ao alcance de um tempo,
não passou
aquele momento, pois.
um? dois.

verborreia com nexo
palavras úteis,
simplesmente são
em vão não.
saem da mente
em sua dimensão
e vão
para o vazio
de um ecrã
cheinho de amanhã.


(escutando romantic music)

sábado, 29 de janeiro de 2011

fôlego

te uso para entender quem eu sou
e sou muito, fora do teu espartilho.
te guardo pra entender o que quero
não quero mais que teus olhos de contas
te olho para descobrir onde estou
não vejo além dos teus cabelos de vidro
te toco pra encontrar o animal em mim
o que de mim foge
eu - a fome, a mordida, lambida,
a vontade de comer.
rememoro a natureza perdida
quando ainda estávamos densas.
inteiras, podíamos respirar
isso não foi ontem, nem amanhã
hoje, quando meu corpo é um bicho
e meu sexo a sorte de um encontro selvagem
aqui, eu imito a vida que não vive
camaleoa, zebra, tigresa, aranha
vem... me arranha...
brilho como um peixe de escamas reluzentes,
lantejoulas baratas,
do fundo do mar eu bordo
a minha presa em suas próprias asas
bordo em minha pele de antílope
pluma de ganso, osso de elefante.
te espero na esquina…
porque me encanta tua boca de cera,
teus peitos de algodão-pólvora
cheiro de pétalas
tua voz emudecida
quanto tempo sem nada a dizer, nada a escutar
só palavras mal/ditas
meu bem, que direi?
meu amor...
tempos de desejo de plástico
é preciso inventar o
silicone-poesia




"for lovers" (the libertines) no ipod

?percebe

ontem
eu nem dormi
buscando entender
o abismo que
existe
entre
o que eu sinto,
o que eu te digo,
o que é feito de nós
e o que vai ser.

question

uma pergunta maltrata tanto assim?
sobreponho ao mundo a linguagem
entre o amor e a loucura está a obsessão.
onde acaba um e começa o outro?
quando o amor nos asfixia
e não nos permite respirar,
quando pensamos cegos,
quando olhamos vidrados,
quando vivemos só lembrando,
quando esquecemos de viver.
quando nos perdemos na caminhada,
quando nada mais importa...
quando só você importa.
eu importo-me.


escutando "smells like teen spirit" nirvana!!