isso é baía formosa

eu depois do velejo

  • "viver a poesia é muito mais necessário e importante do que escrevê-la" murilo mendes

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

a pele

você poderia ser puta, eu te amaria do mesmo jeito.
poderia ser presidiária, viciada, fracassada.
era só continuar tendo esses peitos.
poderia ser estúpida, travessa, dissimulada.
desde que ainda tivesse essas pernas malditas
oh, pernas benditas as suas!
eu poderia abri-las e fechá-las o tempo todo.
você poderia cometer atrocidades,
desde que continuasse com esse nariz lindo.
oh, eu poderia odiá-la,
não fosse essa dita obsessão,
em amá-la desse jeito.
ah esse jeito...
sim, eu poderia odiá-la,
mas quando vejo suas curvas, quando abro a sua blusa,
todo esse ódio passa,
o resto do mundo perde a graça
e é só você quem continua.


play "crua" (otto)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

fado

eu disse como
seria bem mais razoável.
aceitável.
suportável.
há horas desejaria estar
na quietude em que o sossego
inquieta tanto que se torna algo estranho;
mesmo intolerável de se manter.
as horas prolongam-se quando desinquietas...
continuo a escrever teu nome
sem nome,
como se não fossem efêmeras
letras na areia.
preciso adormecer
“ah esse chet baker que não me deixa dormir”
abraço (a)manhã de alma aberta!



(patti smith cantando baixinho ali na vitrola)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

chega como se entra numa concha
sussurro aroma afeto
afago... música para escutar
a duas.
agora eu era alguém
perto de tudo que lembre
as duas!
ao alcance de um tempo,
não passou
aquele momento, pois.
um? dois.

verborreia com nexo
palavras úteis,
simplesmente são
em vão não.
saem da mente
em sua dimensão
e vão
para o vazio
de um ecrã
cheinho de amanhã.


(escutando romantic music)